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Como fazer o diagnóstico de câncer de mama? Entenda os exames que identificam a doença

há 8 horas
8 min de leitura

O diagnóstico de câncer de mama começa muito antes da confirmação feita pelo laboratório. Ele pode surgir a partir de uma alteração percebida pela própria mulher, durante um exame clínico ou por meio de um exame de imagem realizado mesmo quando não existem sintomas. A partir daí, diferentes avaliações podem ser necessárias até determinar se aquela alteração é benigna ou se existe, de fato, um tumor maligno.


O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no país no triênio de 2026 a 2028. A taxa ajustada de incidência estimada é de 42,50 casos para cada 100 mil mulheres.


Por isso, entender como funciona o diagnóstico de câncer de mama é importante tanto para quem realiza exames de rotina quanto para quem percebe um nódulo, uma alteração na pele, uma secreção pelo mamilo ou qualquer outra mudança nas mamas. Quanto mais clara for a informação sobre cada etapa, mais fácil é compreender o motivo pelo qual determinado exame foi solicitado e o que um resultado realmente significa.


O diagnóstico de câncer de mama começa com a avaliação clínica


Nem todo câncer de mama provoca sintomas no início. Da mesma forma, nem toda alteração encontrada na mama significa câncer. Um nódulo, por exemplo, pode ter diversas causas benignas, e somente a investigação adequada consegue esclarecer sua natureza.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sinais que podem estar associados ao câncer de mama incluem nódulo ou espessamento na mama, alterações no tamanho ou formato da mama, mudanças na pele, retração do mamilo e secreção anormal, especialmente quando apresenta sangue. A OMS também ressalta que a presença de um nódulo não significa necessariamente câncer, mas qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde.


A avaliação clínica é uma das primeiras etapas quando existe uma queixa ou alteração suspeita. O profissional de saúde analisa as mamas, verifica características de eventuais nódulos e observa alterações na pele e nos mamilos.


Também pode avaliar regiões como axilas, pescoço e acima das clavículas, onde existem linfonodos que podem apresentar alterações relacionadas à doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a avaliação clínica das mamas é parte da investigação de casos com sinais ou sintomas suspeitos e deve ser acompanhada, quando indicado, por exames de imagem e, posteriormente, pela biópsia.


Mamografia: um dos principais exames para detectar alterações nas mamas


A mamografia é um exame de imagem que utiliza raios X para produzir imagens das mamas. Ela pode ser utilizada tanto no rastreamento de mulheres sem sinais ou sintomas quanto na investigação diagnóstica de alterações suspeitas.


É importante, porém, diferenciar rastreamento de investigação diagnóstica. O rastreamento é realizado em uma população definida como estratégia para encontrar alterações antes do surgimento de sintomas. Já a investigação diagnóstica acontece quando existe um sinal, sintoma ou alteração identificada anteriormente que precisa ser esclarecida.


No Brasil, o INCA recomenda o rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, considerando as evidências científicas disponíveis.

Essa recomendação diz respeito ao rastreamento populacional de mulheres assintomáticas e não significa que uma mulher fora dessa faixa etária não possa ou não deva realizar mamografia quando existe uma alteração que precisa ser investigada. O próprio Ministério da Saúde estabelece a mamografia como ferramenta de investigação em mulheres que apresentam sinais ou sintomas suspeitos.


Durante a análise da mamografia, os achados são classificados pelo sistema BI-RADS, uma padronização utilizada para organizar os resultados dos exames de imagem das mamas e orientar a conduta médica. As categorias variam de 0 a 6, e cada uma indica uma interpretação e uma conduta específica.


Um resultado BI-RADS 1, por exemplo, corresponde a um exame negativo, enquanto o BI-RADS 2 indica achados benignos. Já categorias como BI-RADS 4 e 5 indicam alterações que precisam de investigação mais aprofundada, geralmente com biópsia. O INCA apresenta essas classificações e as respectivas condutas em seus materiais técnicos de detecção precoce do câncer de mama.


Por isso, receber um resultado alterado na mamografia não significa automaticamente receber um diagnóstico de câncer. O resultado indica o grau de suspeição da alteração e ajuda o médico a decidir qual será o próximo passo.


Ultrassonografia mamária pode complementar a investigação


A ultrassonografia das mamas também pode fazer parte da investigação de alterações mamárias. Ela utiliza ondas sonoras para produzir imagens e pode ajudar, por exemplo, a diferenciar determinadas características de lesões encontradas na mama.


De acordo com o Ministério da Saúde, a ultrassonografia pode ser utilizada como exame complementar à mamografia em determinadas situações, incluindo resultados inconclusivos, mamas com alta densidade ou situações em que a mamografia não pode ser realizada. Também pode ser utilizada na investigação de nódulos palpáveis, especialmente em mulheres mais jovens.


Isso significa que mamografia e ultrassonografia não são necessariamente exames concorrentes. Em muitos casos, eles fornecem informações diferentes e complementares.


Outro ponto importante é que a ultrassonografia não deve ser confundida com um substituto universal da mamografia no rastreamento. Segundo as orientações do Ministério da Saúde, a ultrassonografia não deve ser utilizada isoladamente como método de rastreamento do câncer de mama. Sua indicação depende das características clínicas e dos achados encontrados na investigação.


Quando a ressonância magnética das mamas é indicada?


A ressonância magnética pode ser utilizada em situações específicas e fornece imagens mais detalhadas das estruturas mamárias. No entanto, não é um exame que deve ser solicitado indiscriminadamente para todas as mulheres.


Segundo as Linhas de Cuidado do Ministério da Saúde, a ressonância magnética pode ser indicada em situações específicas, como quando os exames convencionais não são conclusivos, na investigação de determinados casos de câncer oculto, na suspeita de recorrência ou em situações relacionadas a implantes mamários. O exame também pode fazer parte da avaliação de mulheres com alto risco, conforme critérios médicos.


A utilização da ressonância exige avaliação individualizada porque o exame também pode identificar alterações que necessitam de investigação adicional. Portanto, a indicação deve considerar o histórico clínico, os fatores de risco e os resultados dos demais exames.


A biópsia confirma se existe câncer de mama


Uma das dúvidas mais comuns após uma alteração na mamografia ou na ultrassonografia é: quando é possível afirmar que existe câncer?

A resposta está na análise do tecido.


Segundo a American Cancer Society, a biópsia é o único método capaz de confirmar definitivamente se uma área suspeita contém células cancerígenas. Durante o procedimento, uma amostra de tecido é retirada da região que apresenta alteração e encaminhada para análise laboratorial por um patologista.


No câncer de mama, a biópsia pode ser realizada de diferentes maneiras. Uma das técnicas mais utilizadas é a core biópsia, também chamada de biópsia por agulha grossa. Nesse procedimento, são retirados pequenos fragmentos do tecido mamário para análise.


De acordo com o Ministério da Saúde, a biópsia percutânea com agulha grossa ou a biópsia assistida a vácuo, conhecida como mamotomia, são métodos de escolha para a confirmação diagnóstica em muitos casos. Esses procedimentos permitem realizar a análise histopatológica e também testes complementares importantes para caracterizar o tumor.


Em algumas situações, pode ser utilizada a punção aspirativa por agulha fina, especialmente para avaliação de determinados linfonodos ou outras situações específicas. Quando a biópsia percutânea não é viável ou apresenta resultado inconclusivo ou incompatível com os demais achados, pode ser necessária uma biópsia cirúrgica.


O que o exame da biópsia revela?


Confirmar a presença de células malignas é apenas uma parte da informação obtida pela biópsia. O material também pode fornecer características importantes sobre o tipo de câncer de mama.


Segundo a American Cancer Society, a análise do material da biópsia ajuda os médicos a determinar características como o tipo de câncer, o grau do tumor e a presença de receptores hormonais. Essas informações contribuem diretamente para a definição das opções de tratamento.


Entre os exames realizados no material coletado estão análises histopatológicas e, quando indicadas, avaliações imuno-histoquímicas. Essas informações podem identificar, por exemplo, a presença de receptores de estrogênio, progesterona e HER2.


Essa etapa é importante porque o câncer de mama não é uma doença única. Existem diferentes subtipos, com características biológicas distintas e diferentes possibilidades de tratamento. Por isso, o diagnóstico moderno vai além de simplesmente responder se existe ou não um tumor.


O diagnóstico também envolve o estadiamento


Depois da confirmação do câncer, a equipe médica precisa entender a extensão da doença. Essa etapa é chamada de estadiamento.

O estadiamento avalia fatores como o tamanho e as características do tumor, o comprometimento de linfonodos e a eventual presença de doença em outras partes do organismo. Segundo o Ministério da Saúde, a extensão do câncer e sua disseminação no momento do diagnóstico são determinantes para o estadiamento e para a definição das opções terapêuticas.


Dependendo das características encontradas, podem ser solicitados outros exames de imagem e laboratoriais. Nem todas as pessoas precisam realizar exatamente os mesmos exames. A escolha depende do tipo de tumor, dos achados clínicos, dos resultados da biópsia e da avaliação médica.


Essa individualização evita transformar a investigação em uma sequência automática de exames e permite direcionar cada etapa para as informações realmente necessárias.


Quais sinais devem levar à procura de um médico?


Alterações nas mamas não devem ser ignoradas, principalmente quando são novas ou persistentes. Entre os sinais que merecem avaliação estão o aparecimento de um nódulo, alteração no formato ou tamanho da mama, retração do mamilo, mudanças na pele, vermelhidão persistente, aspecto semelhante à casca de laranja e secreção anormal pelo mamilo.


Segundo a OMS, o nódulo ou espessamento da mama é um dos sinais mais comuns, mas a doença também pode apresentar alterações na pele, no mamilo e secreções. A organização recomenda que alterações suspeitas sejam avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando não existe dor.


É importante lembrar que a ausência de dor não exclui a necessidade de investigação. Da mesma forma, a presença de dor não significa necessariamente câncer. A avaliação médica é que permite diferenciar alterações benignas, inflamatórias e outras condições de possíveis sinais de malignidade.


Por que descobrir o câncer de mama cedo faz diferença?


A detecção precoce aumenta as possibilidades de identificar tumores em fases em que as opções terapêuticas podem ser mais amplas. Segundo a OMS, a mortalidade por câncer de mama pode ser reduzida quando os casos são identificados e tratados precocemente. A organização destaca duas estratégias relacionadas à detecção precoce: o diagnóstico oportuno de pessoas que apresentam sinais e sintomas e o rastreamento de populações sem sintomas.


O INCA também diferencia claramente essas duas estratégias. De acordo com o instituto, o diagnóstico precoce corresponde à identificação da doença em estágio inicial em mulheres que apresentam sinais ou sintomas, enquanto o rastreamento consiste na aplicação sistemática de exames em mulheres sem sinais ou sintomas para identificar alterações sugestivas de câncer.


Essa diferença ajuda a entender por que uma mulher com um nódulo suspeito não deve simplesmente esperar pelo próximo exame de rotina. Quando existe uma alteração, a situação deixa de ser apenas uma questão de rastreamento e passa a exigir investigação diagnóstica.


Diagnóstico de câncer de mama exige uma sequência de avaliações


Em resumo, o diagnóstico de câncer de mama pode envolver diferentes etapas: avaliação clínica, exames de imagem como mamografia e ultrassonografia, eventualmente ressonância magnética e, quando existe suspeita suficiente, biópsia para análise do tecido.


Nenhum exame deve ser interpretado isoladamente. Uma alteração na mamografia não equivale automaticamente a câncer, assim como um exame de imagem sem alterações não deve ser utilizado para ignorar um sintoma novo e persistente. A correlação entre avaliação clínica, exames de imagem e resultado anatomopatológico é parte importante da investigação.


De acordo com o Ministério da Saúde, a confirmação definitiva do câncer é realizada por meio do exame histopatológico, enquanto a análise conjunta das informações clínicas e dos exames auxilia na definição da conduta mais adequada para cada caso.


Com informação adequada e acompanhamento médico, é possível entender cada etapa da investigação e evitar tanto a falsa tranquilidade diante de uma alteração quanto o medo provocado por um exame que ainda não representa um diagnóstico definitivo.


Se você percebeu alguma alteração nas mamas, recebeu um exame com resultado suspeito ou precisa entender melhor quais são os próximos passos após uma investigação, procure avaliação especializada. Na Onco Mais Humana, você encontra informação e cuidado voltados às necessidades de quem precisa lidar com o câncer de forma individualizada e responsável. Converse com nossa equipe para conhecer as possibilidades de acompanhamento e orientação disponíveis para o seu caso.


 
 
 

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