Fertilidade e Câncer: Entenda Como Preservar a Capacidade Reprodutiva Antes do Tratamento Oncológico
- oncomaishumana
- 11 de jun. de 2025
- 5 min de leitura
Ao receber um diagnóstico de câncer, muitos pacientes concentram sua atenção nas estratégias de tratamento, nos prognósticos e nos impactos físicos imediatos. Porém, uma questão que merece atenção desde o início é a fertilidade. Tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias podem afetar diretamente a função reprodutiva, impactando decisões futuras sobre ter filhos. Apesar disso, a fertilidade ainda é um tema pouco abordado durante a fase inicial do cuidado oncológico, o que pode gerar arrependimentos e frustrações no futuro.

Este artigo foi criado pela equipe Onco Mais Humana para esclarecer como o câncer e seu tratamento podem influenciar a fertilidade, quais são as alternativas disponíveis para preservar a função reprodutiva e por que é tão importante incluir esse assunto nas primeiras conversas com a equipe médica.
Segundo a American Cancer Society (ACS), diversos tipos de tratamento contra o câncer podem reduzir ou até eliminar a fertilidade em homens e mulheres. A extensão desse impacto depende de variáveis como idade, tipo de câncer, tipo de tratamento e tempo de exposição aos medicamentos ou radiação. Para algumas pessoas, o risco é temporário, mas em muitos casos ele pode ser permanente. Por isso, tomar decisões informadas antes do início do tratamento é fundamental.
Como a quimioterapia afeta a fertilidade
A quimioterapia é um dos pilares do tratamento oncológico e também uma das maiores ameaças à fertilidade. Alguns medicamentos quimioterápicos são conhecidos por sua alta toxicidade para os ovários e os testículos. De acordo com o National Cancer Institute (NCI), agentes alquilantes como ciclofosfamida e ifosfamida têm um potencial elevado de danificar células germinativas, o que pode levar à falência ovariana em mulheres e à azoospermia em homens.
Em mulheres, a quimioterapia pode acelerar a perda dos óvulos e provocar uma menopausa precoce. Isso pode ocorrer mesmo em pacientes jovens, com menos de 30 anos. Já nos homens, o tratamento pode comprometer a produção de espermatozoides, diminuindo a contagem e a qualidade, ou até levando à infertilidade total.
Importante destacar que nem todos os medicamentos têm o mesmo efeito. Por isso, é fundamental conversar com a equipe oncologista sobre o protocolo indicado e suas possíveis consequências reprodutivas.
Radioterapia e sua relação com a fertilidade
A radioterapia também pode comprometer a fertilidade, especialmente quando direcionada à pelve, abdômen inferior ou cérebro (mais precisamente à região da hipófise, que regula os hormônios reprodutivos). Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), a radiação pode danificar diretamente os ovários e testículos, além de afetar o útero, dificultando gestações futuras.
Nas mulheres, a exposição à radiação pélvica pode reduzir o fluxo sanguíneo no útero, prejudicar a espessura do endométrio e aumentar o risco de abortos ou partos prematuros. Em homens, a radiação testicular, mesmo em pequenas doses, pode afetar severamente a produção de espermatozoides.
Em algumas situações, é possível proteger os órgãos reprodutivos com técnicas como o deslocamento dos ovários (ooforopexia) antes da radioterapia ou o uso de escudos protetores nos testículos. No entanto, essas opções precisam ser discutidas antes do início do tratamento.
Cirurgias e seus efeitos na fertilidade
Dependendo do tipo e da localização do câncer, procedimentos cirúrgicos podem afetar a fertilidade de forma significativa. Em tumores ginecológicos, por exemplo, como os de ovário, útero ou colo do útero, as cirurgias podem envolver a retirada total ou parcial dos órgãos reprodutivos.
De acordo com a European Society for Medical Oncology (ESMO), em casos selecionados, existe a possibilidade de realizar cirurgias conservadoras da fertilidade, especialmente em mulheres jovens com tumores em estágios iniciais. Uma das alternativas é a traquelectomia, que remove o colo do útero preservando o corpo uterino, permitindo futuras gestações com suporte especializado.
Nos homens, cirurgias para remoção de testículos (orquiectomia) ou intervenções pélvicas que afetam a produção ou o transporte de espermatozoides também comprometem a fertilidade. A boa notícia é que, em muitos casos, é possível recorrer ao congelamento de sêmen antes do procedimento.
Preservação da fertilidade: quais são as opções
A boa notícia é que, com o avanço da medicina reprodutiva, existem métodos eficazes para preservar a fertilidade antes do início do tratamento oncológico. Essas opções variam de acordo com o sexo, a idade e o tempo disponível antes do início da terapia.
Entre as técnicas mais utilizadas estão:
1. Congelamento de óvulos
É uma das alternativas mais indicadas para mulheres que ainda não têm filhos e desejam engravidar após o tratamento. Segundo a ASRM, a técnica consiste na estimulação ovariana seguida pela coleta e congelamento dos óvulos. Os óvulos podem permanecer armazenados por tempo indeterminado e ser fertilizados posteriormente, quando a paciente estiver pronta para engravidar.
2. Congelamento de embriões
É uma opção para mulheres que têm parceiro ou desejam utilizar sêmen de doador. Os óvulos são fertilizados em laboratório antes do congelamento, formando embriões que podem ser transferidos para o útero após o fim do tratamento oncológico.
3. Congelamento de tecido ovariano
Essa técnica ainda é considerada experimental, mas tem se mostrado promissora, especialmente em meninas e adolescentes. Parte do ovário é removida e congelada para futura reimplantação.
4. Congelamento de sêmen
Simples, rápido e amplamente acessível, o congelamento de sêmen é indicado para todos os homens diagnosticados com câncer que desejam preservar sua fertilidade. O material pode ser coletado por masturbação e armazenado em bancos especializados antes da quimioterapia ou cirurgia.
5. Supressão ovariana com análogos de GnRH
Alguns estudos sugerem que a administração de medicamentos que “desligam” temporariamente os ovários pode ajudar a protegê-los da ação da quimioterapia. No entanto, essa medida não substitui o congelamento de óvulos e ainda é considerada uma abordagem complementar.
Quando procurar um especialista em fertilidade oncológica
A melhor hora para discutir sobre fertilidade é logo após o diagnóstico, antes de iniciar qualquer forma de tratamento. Segundo a ASCO (American Society of Clinical Oncology), a preservação da fertilidade deve fazer parte da conversa entre paciente e equipe médica desde o primeiro planejamento terapêutico.
Infelizmente, muitas pessoas não recebem essa orientação no tempo adequado.
Por isso, buscar apoio de centros especializados em fertilidade oncológica ou clínicas de reprodução humana é uma atitude que pode abrir portas no futuro.
É importante lembrar que cada caso é único e que as decisões sobre preservação da fertilidade devem ser personalizadas, levando em consideração o tipo de câncer, a urgência do tratamento, o desejo de ter filhos e as possibilidades clínicas e financeiras do paciente.
Questões emocionais e sociais também importam
Além do impacto físico, o risco de infertilidade também afeta o bem-estar emocional de quem enfrenta o câncer. Estudos publicados pelo Journal of Clinical Oncology mostram que pacientes que não preservam a fertilidade e depois desejam ter filhos podem enfrentar arrependimentos significativos, além de sintomas de ansiedade e depressão relacionados à perda dessa possibilidade.
Fertilidade está intimamente ligada à identidade, à construção de planos futuros e ao sentimento de continuidade. Ignorar esse aspecto durante o tratamento oncológico é subestimar um ponto essencial do cuidado integral com o paciente.
A importância de ter uma equipe que acolhe cada etapa do processo
Na Onco Mais Humana, acreditamos que o tratamento do câncer vai muito além dos protocolos. É preciso cuidar da saúde como um todo, incluindo aspectos que nem sempre recebem a devida atenção, como a fertilidade. Sabemos o quanto preservar possibilidades futuras pode trazer mais segurança, conforto e esperança durante o tratamento. Por isso, oferecemos um atendimento acolhedor, atento às necessidades individuais de cada paciente, com orientação humanizada e atualizada sobre todos os impactos que o tratamento pode ter.
Se você está iniciando um tratamento oncológico ou conhece alguém nessa situação, entre em contato com a equipe da Onco Mais Humana. Nossa missão é oferecer um cuidado atento, técnico e sensível, sempre olhando para o que importa: a vida em sua totalidade.




Comentários