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O câncer na mídia e no cinema: entre romantização e desinformação

  • oncomaishumana
  • há 15 horas
  • 5 min de leitura


O câncer sempre foi um tema poderoso na mídia. Filmes, séries, novelas, campanhas publicitárias e reportagens jornalísticas recorrem com frequência à doença para provocar emoção, empatia e impacto.


O problema surge quando essa representação se distancia da realidade científica e clínica, criando narrativas romantizadas ou carregadas de informações imprecisas. O resultado é uma sociedade que consome histórias emocionantes, mas que muitas vezes compreende pouco sobre o que realmente significa viver com câncer, prevenir a doença ou enfrentá-la com base em evidências.


Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer é um conjunto de mais de 100 doenças diferentes, com comportamentos, tratamentos e prognósticos distintos. Essa complexidade raramente aparece nas telas. A mídia tende a simplificar a experiência, transformando o câncer em um personagem único, quase simbólico, o que contribui para estigmas, medo excessivo ou expectativas irreais.

O câncer como recurso narrativo no cinema


No cinema, o câncer costuma cumprir um papel dramático muito específico. Ele aparece como catalisador de mudanças profundas, reconciliações familiares, romances intensos ou reflexões existenciais. Personagens recebem o diagnóstico, passam por sofrimento intenso em um curto espaço de tempo e, em muitos roteiros, caminham rapidamente para um desfecho trágico ou idealizado.

Esse modelo narrativo ignora uma realidade fundamental.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pessoas vivem por muitos anos com câncer, seja em tratamento, em controle da doença ou em remissão. A experiência real inclui consultas regulares, exames, efeitos colaterais variados, períodos de estabilidade e adaptações contínuas à vida cotidiana. Isso raramente é mostrado nas produções audiovisuais.


Quando o câncer é apresentado apenas como sentença de morte ou como um evento que transforma alguém em uma figura quase heroica, o público deixa de enxergar a diversidade de trajetórias possíveis. Isso alimenta a ideia equivocada de que, se não houver um final trágico ou uma transformação extraordinária, a história não é digna de ser contada.


Romantização do sofrimento e seus impactos


A romantização do câncer acontece quando a dor física e emocional é retratada como algo belo, inspirador ou redentor. Personagens são mostrados sempre fortes, positivos e gratos, mesmo diante de sintomas intensos, limitações e medo. Embora a intenção seja transmitir esperança, esse tipo de abordagem pode gerar consequências negativas.


Segundo a American Cancer Society, sentimentos como tristeza, raiva, ansiedade e exaustão são comuns em pessoas com câncer e fazem parte da experiência humana diante de uma doença grave.


Quando a mídia impõe um padrão de comportamento otimista constante, quem vive a realidade do tratamento pode sentir culpa ou inadequação por não corresponder a essa imagem idealizada.


Além disso, familiares e amigos influenciados por essas narrativas podem minimizar o sofrimento real do paciente, esperando atitudes positivas permanentes e desconsiderando a necessidade de apoio emocional legítimo.


Desinformação sobre tratamentos e prognósticos


Outro ponto crítico é a forma como tratamentos oncológicos são representados. Quimioterapia, radioterapia, cirurgias e terapias-alvo costumam aparecer de maneira superficial ou distorcida. Efeitos colaterais são exagerados em alguns casos ou completamente ignorados em outros. A duração dos tratamentos é encurtada para fins narrativos, criando a impressão de que tudo acontece de forma rápida e linear.


De acordo com o National Cancer Institute, cada tipo de câncer exige um plano terapêutico individualizado, baseado em estágio da doença, características biológicas do tumor e condições clínicas do paciente. Não existe um único caminho ou uma resposta padrão. A mídia, ao simplificar esse processo, contribui para expectativas irreais sobre resultados e prazos.


Essa desinformação também pode impactar decisões de saúde. Pessoas influenciadas por filmes ou séries podem subestimar a importância do diagnóstico precoce ou superestimar terapias alternativas sem comprovação científica, acreditando em curas milagrosas retratadas na ficção.


O papel da mídia jornalística na construção de narrativas


Não apenas o entretenimento contribui para distorções. A cobertura jornalística sobre câncer muitas vezes privilegia manchetes alarmistas ou descobertas apresentadas como revoluções imediatas. Expressões como cura definitiva ou tratamento inovador aparecem com frequência, mesmo quando os estudos ainda estão em fases iniciais.


Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), avanços científicos são fundamentais, mas devem ser comunicados com responsabilidade, contextualizando limitações, fases de pesquisa e aplicabilidade real. Quando a mídia falha nesse cuidado, o público passa a acreditar que soluções simples estão sempre ao alcance, o que não corresponde à realidade da oncologia.


Essa abordagem também pode gerar frustração em pacientes que não têm acesso imediato a determinadas terapias ou que não se enquadram nos critérios específicos de novos tratamentos.


Estigmas reforçados pela ficção


A representação repetitiva do câncer como sinônimo de fragilidade extrema ou incapacidade reforça estigmas sociais. Pessoas em tratamento continuam trabalhando, cuidando da família e mantendo atividades sociais, dentro de suas possibilidades. No entanto, a mídia frequentemente mostra pacientes isolados, afastados da vida comum e definidos exclusivamente pela doença.


De acordo com o INCA, combater o estigma é parte essencial do cuidado oncológico, pois o preconceito afeta a saúde mental, o acesso ao tratamento e a qualidade de vida. Quando o câncer é tratado apenas como tragédia, a sociedade se distancia da compreensão empática e realista da doença.


Quando a representação pode ser aliada da informação


Apesar das críticas, a mídia e o cinema também têm potencial para contribuir positivamente. Produções que consultam especialistas, pacientes e instituições científicas conseguem retratar o câncer de forma mais fiel, abordando prevenção, diagnóstico precoce, diversidade de experiências e a importância do acompanhamento multidisciplinar.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a informação correta é uma das principais ferramentas para reduzir o impacto do câncer no mundo. Quando histórias bem construídas alcançam grandes audiências, elas podem estimular a busca por exames preventivos, aumentar a compreensão sobre fatores de risco e reduzir o medo associado ao diagnóstico.


A diferença está na responsabilidade narrativa. Não se trata de eliminar a emoção, mas de equilibrá-la com dados reais, pluralidade de vivências e respeito à ciência.


O impacto na percepção do público sobre prevenção


Um dos aspectos menos explorados na ficção é a prevenção. Fatores como tabagismo, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e exposição excessiva ao sol raramente são conectados de forma clara às histórias de câncer apresentadas na mídia.


De acordo com o INCA e a OMS, uma parcela significativa dos casos de câncer pode ser evitada com mudanças de hábitos e políticas de saúde pública. Ao ignorar esse ponto, o cinema e a mídia perdem uma oportunidade poderosa de educação em saúde e reforçam a ideia de que o câncer é sempre imprevisível e inevitável.


Informação de qualidade como contraponto à desinformação

Diante desse cenário, o acesso a fontes confiáveis se torna ainda mais importante. Instituições oficiais de oncologia, sociedades médicas e profissionais especializados têm o papel de traduzir a ciência de forma acessível, sem simplificações perigosas.


Segundo a American Cancer Society, a educação em saúde baseada em evidências ajuda pacientes e familiares a tomar decisões mais conscientes, reduz ansiedade e melhora a adesão aos tratamentos. Em um mundo onde a mídia influencia percepções e comportamentos, informação de qualidade não é apenas desejável, é necessária.


Falar sobre câncer com responsabilidade é um compromisso social. Significa respeitar quem vive a doença, valorizar a ciência e combater mitos que ainda circulam com força no imaginário coletivo.


Buscar conteúdo confiável, produzido por especialistas e alinhado às evidências científicas, é uma forma concreta de transformar a maneira como o câncer é compreendido. A Onco Mais Humana tem justamente esse entre seus propósitos. Levar informação clara, humana e responsável sobre oncologia, acolhendo dúvidas, esclarecendo mitos e colocando o paciente no centro do cuidado.


Acompanhar os conteúdos da Onco Mais Humana é um passo importante para quem deseja entender o câncer além das telas, com conhecimento, sensibilidade e compromisso com a vida. Se você precisar de atendimento especializado, entre em contato com a Onco Mais Humana e agende sua consulta.


 
 
 

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