Ensaios clínicos: o que são, como funcionam e quando podem ser uma opção no tratamento do câncer
- há 20 horas
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Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer, é natural que surjam muitas dúvidas sobre tratamentos, alternativas terapêuticas e possibilidades além das abordagens mais conhecidas. Entre essas opções, os ensaios clínicos despertam curiosidade e, muitas vezes, insegurança. Ainda cercados de mitos, eles representam um dos pilares do avanço da oncologia moderna e podem, em determinados contextos, ser considerados como parte do cuidado ao paciente.
Ensaios clínicos são estudos científicos realizados com pessoas para avaliar novos medicamentos, combinações de terapias, procedimentos ou estratégias de acompanhamento. Eles seguem regras rigorosas de ética, segurança e metodologia, sendo fundamentais para que novos tratamentos cheguem à prática médica.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), todo medicamento ou terapia oncológica utilizada atualmente passou, obrigatoriamente, por ensaios clínicos antes de ser aprovado.
O que são ensaios clínicos em oncologia
Ensaios clínicos são pesquisas planejadas para responder perguntas específicas sobre a eficácia e a segurança de uma intervenção em seres humanos. No contexto do câncer, essas intervenções podem envolver medicamentos inovadores, terapias-alvo, imunoterapias, novas combinações de quimioterapia, radioterapia com técnicas avançadas ou até estratégias de prevenção e diagnóstico.
Segundo o National Cancer Institute (NCI), órgão oficial de pesquisa oncológica dos Estados Unidos, os ensaios clínicos são a principal forma de transformar descobertas feitas em laboratório em tratamentos reais para pacientes. Eles permitem avaliar não apenas se uma nova abordagem funciona, mas também quais são seus efeitos colaterais, doses ideais e impacto na qualidade de vida.
É importante destacar que ensaios clínicos não são testes improvisados. Eles seguem protocolos detalhados, aprovados por comitês de ética independentes e por órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil.
As fases dos ensaios clínicos
Os ensaios clínicos são divididos em fases, cada uma com um objetivo específico. Entender essas etapas ajuda a desmistificar o processo e a compreender em que momento um estudo se encontra.
A fase I é a primeira etapa em humanos. O foco principal é avaliar a segurança do tratamento, identificar efeitos adversos e definir a dose mais adequada. Geralmente envolve um número reduzido de participantes.
Na fase II, o estudo passa a analisar a eficácia do tratamento para um tipo específico de câncer, além de continuar monitorando a segurança. Nessa etapa, já é possível observar sinais de benefício clínico.
A fase III compara o novo tratamento com o padrão já utilizado na prática médica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa é uma das fases mais importantes, pois os resultados costumam embasar pedidos de aprovação regulatória.
Por fim, a fase IV ocorre após a aprovação do tratamento e tem como objetivo acompanhar efeitos a longo prazo e seu desempenho em uma população maior e mais diversa.
Quem pode participar de um ensaio clínico
Nem todo paciente é elegível para participar de um ensaio clínico. Cada estudo possui critérios de inclusão e exclusão bem definidos, que levam em conta fatores como tipo de câncer, estágio da doença, tratamentos anteriores, idade, condições clínicas associadas e exames laboratoriais.
Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO), esses critérios não existem para excluir pacientes de forma arbitrária, mas para garantir a segurança dos participantes e a confiabilidade dos resultados. Eles permitem que os pesquisadores avaliem com precisão os efeitos do tratamento em um perfil específico de pacientes.
É por isso que a avaliação médica especializada é indispensável. O oncologista analisa o histórico do paciente e verifica se existe algum ensaio clínico adequado à sua situação clínica.
Ensaios clínicos são seguros
Um dos maiores receios em relação aos ensaios clínicos é a segurança. Muitas pessoas associam esses estudos à ideia de “experimentação”, mas a realidade é bem diferente.
De acordo com a Anvisa, todo ensaio clínico precisa cumprir normas rigorosas de boas práticas clínicas, que garantem o acompanhamento contínuo dos participantes, a transparência das informações e a possibilidade de interrupção do estudo caso surjam riscos inesperados.
Além disso, os pacientes são informados de forma clara sobre os objetivos do estudo, possíveis benefícios, riscos e alternativas existentes. A participação é voluntária, e o consentimento pode ser retirado a qualquer momento, sem prejuízo ao tratamento convencional.
Quando os ensaios clínicos podem ser uma opção para o paciente
Os ensaios clínicos podem ser considerados em diferentes momentos do tratamento oncológico. Em alguns casos, eles são avaliados logo no início, especialmente quando o estudo testa uma nova abordagem que pode ser comparada ao tratamento padrão. Em outros, tornam-se uma alternativa quando as opções convencionais já foram utilizadas.
Segundo a European Society for Medical Oncology (ESMO), os ensaios clínicos podem ser uma opção relevante para pacientes com câncer avançado, tumores raros ou situações em que há necessidade de terapias mais personalizadas. Isso ocorre porque muitos estudos avaliam medicamentos inovadores baseados em características genéticas do tumor.
Também há ensaios clínicos focados em melhorar a qualidade de vida, reduzir efeitos colaterais ou aprimorar estratégias de acompanhamento após o tratamento, ampliando o olhar para além do controle da doença.
Benefícios potenciais dos ensaios clínicos
Participar de um ensaio clínico pode oferecer acesso a tratamentos inovadores antes que estejam disponíveis no sistema de saúde. Além disso, o paciente costuma receber um acompanhamento ainda mais próximo, com avaliações frequentes e uma equipe multidisciplinar envolvida.
De acordo com o INCA, os ensaios clínicos contribuem diretamente para o avanço do conhecimento científico e ajudam a definir os tratamentos que serão utilizados no futuro. Embora o benefício individual não possa ser garantido, a participação pode representar uma alternativa relevante dentro de um plano terapêutico bem estruturado.
Outro ponto importante é que muitos estudos cobrem os custos relacionados ao tratamento investigado, o que pode aliviar parte do impacto financeiro, sempre respeitando as normas éticas e regulatórias.
Mitos e verdades sobre ensaios clínicos
Um mito comum é acreditar que o paciente deixa de receber tratamento ao participar de um ensaio clínico. Na prática, isso não acontece. Segundo a ASCO, todo participante recebe, no mínimo, o tratamento padrão recomendado para sua condição, ou uma alternativa considerada equivalente.
Outro equívoco é pensar que ensaios clínicos são apenas para pacientes sem opções. Embora possam ser indicados em casos mais avançados, muitos estudos envolvem pacientes em estágios iniciais da doença, inclusive com foco em prevenção de recorrência.
Também é importante esclarecer que placebo nem sempre é utilizado. Quando isso ocorre, geralmente é associado ao tratamento padrão, e não como única intervenção, especialmente em oncologia.
A importância da decisão compartilhada
A decisão de participar de um ensaio clínico deve ser tomada de forma consciente, com base em informações claras e alinhada aos valores e expectativas do paciente. O diálogo aberto com o oncologista é essencial para compreender riscos, benefícios e alternativas disponíveis.
Segundo a OMS, a tomada de decisão compartilhada fortalece a autonomia do paciente e contribui para um cuidado mais humanizado, respeitando suas escolhas e prioridades.
Buscar uma segunda opinião especializada também pode ajudar a esclarecer dúvidas e trazer mais segurança nesse processo.
Ensaios clínicos e o futuro do tratamento do câncer
Os avanços mais recentes da oncologia, como a imunoterapia e as terapias-alvo, só se tornaram realidade graças aos ensaios clínicos. Eles continuam sendo a base para o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados, eficazes e com menos efeitos colaterais.
De acordo com o National Cancer Institute, a pesquisa clínica é indispensável para enfrentar os desafios atuais do câncer, especialmente diante do aumento da incidência da doença em todo o mundo e da necessidade de abordagens mais precisas.
Ao compreender melhor o que são os ensaios clínicos e como funcionam, pacientes e familiares podem enxergá-los não como um último recurso, mas como uma possibilidade integrada ao cuidado oncológico moderno.
No contexto da Onco Mais Humana, falar sobre ensaios clínicos é também reforçar o compromisso com informação de qualidade, decisões conscientes e um cuidado centrado na pessoa. Se você ou alguém próximo enfrenta um diagnóstico de câncer e deseja entender melhor todas as opções disponíveis, contar com uma equipe que escuta, orienta e acompanha faz toda a diferença.
A Onco Mais Humana está preparada para esclarecer dúvidas, avaliar possibilidades e caminhar ao seu lado em cada etapa do tratamento, sempre com empatia, responsabilidade e respeito à individualidade de cada paciente.



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